Dizem que religião, futebol e gosto não se discutem.
Eu discuto todos eles. Gosto de discutir. E esse meu gosto, com certeza, é discutível. Aliás, como qualquer outro.
Alguma religião está certa sobre o que prega? Algum time/jogador/técnico de futebol é melhor do que qualquer outro? Seu gosto é melhor do que o meu?
Essas são perguntas proibidas. Discutir o indiscutível é tarefa árdua, como qualquer outra antítese da vida.
Você, ao nascer, foi levado à Igreja e batizado. Quando nem sabia o que era futebol (mal aprendia o que era uma bola), já vestia uma camiseta do Corinthians. Você não podia e nem queria dizer não a tudo isso.
É… Seu gosto, naquela época, era discutível. Discutiam-no por você.
Aí, você foi crescendo. Um dia ouviu aquela frase mágica, capaz de encerrar a mais exasperada altercação, soando como a batida do martelo do Juiz da Razão: “Gosto não se discute!”. E ponto.
Você aprendeu: há certas coisas que não precisam ser explicadas. Não preciso explicar porque sou católico ou budista. Não preciso explicar porque torço pro São Paulo, pro Flamengo ou pro Operário. Não preciso dizer porque não gosto de banana pura, mas gosto dela batida com leite. E por que não?
De fato, alguns gostos podem lhe parecer indiscutíveis, simplesmente porque você os engoliu já discutidos. Quando escolheram sua religião e seu time, por exemplo, você não teve tempo de questionar.
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